Chá de Guaco (Mikania glomerata): A Tradição Brasileira para Tosse e Vias Respiratórias

O guaco é um dos fitoterápicos mais usados no Brasil contra tosse e bronquite. Veja como a cumarina age, como preparar e quais cuidados tomar.

O guaco e a tradição respiratória brasileira

O guaco (Mikania glomerata) é uma trepadeira nativa da Mata Atlântica, usada há gerações no Brasil para tosse, bronquite e desconfortos das vias aéreas. É um dos fitoterápicos com maior tradição no país e conta com registro e monografia na Farmacopeia Brasileira e na ANVISA. As folhas, frescas ou secas, são utilizadas em chá, xarope e até em preparações para inalação de vapor. Seu uso é popular principalmente nas estações frias, quando aumentam os quadros de tosse e congestão.

A cumarina e o mecanismo broncodilatador

O principal marcador fitoquímico do guaco é a cumarina, acompanhada de óleos essenciais e fitoesteróis. A cumarina contribui para o relaxamento da musculatura lisa dos brônquios, o que facilita a passagem do ar em quadros de broncoespasmo leve, além de ajudar a fluidificar as secreções, tornando a tosse mais produtiva. Por isso o guaco é classificado tradicionalmente como expectorante e antitussígeno, auxiliando no alívio sintomático da tosse associada a gripes e resfriados.

Formas de uso: chá, xarope e vapor

Para o chá, use 1 a 2 colheres de sopa de folhas para 250 ml de água fervente e abafe por 8 a 10 minutos. Tome de 2 a 3 xícaras ao dia. O xarope caseiro combina o chá concentrado com mel, indicado apenas para adultos e crianças acima de 1 ano, por causa do risco de botulismo infantil associado ao mel. Para inalação, adicione folhas de guaco à água quente e inspire o vapor com cuidado para evitar queimaduras.

Segurança e contraindicações

A cumarina em doses altas e por períodos prolongados pode interferir na coagulação e potencializar o efeito de anticoagulantes. Gestantes e lactantes devem evitar o guaco sem orientação médica. Crianças pequenas devem usar apenas sob recomendação pediátrica. Pessoas com asma moderada a grave, doença pulmonar crônica ou em uso de medicamentos contínuos devem conversar com o médico antes de incluir o guaco na rotina.